Argamassas industrializadas

Uma obra mais limpa, com menos desperdício e melhor qualidade é a promessa dos fabricantes de argamassa industrializada de base cimentícia. Investimentos no desenvolvimento de produtos específicos para diferentes usos são a tônica desta indústria que luta para conquistar o mercado ainda dominado pelo produto virado na obra.


Produtividade e economia: essas são as palavras-chave quando se fala em argamassa industrializada. Muito embora o emprego do produto exija um investimento inicial maior se comparado ao da argamassa virada no canteiro, na ponta do lápis, acaba saindo mais barato.

Exemplos de algumas argamassas industrializadas

Argamassas industrializadas - Qualimassa

Ercio Thomaz, engenheiro e pesquisador do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo), explica que, para fazer a mistura, é preciso ter espaço para armazenar areia, cimento e cal, além de pessoal preparado para a produção, “o que não é fácil de encontrar porque pouca gente tem o domínio da dosagem correta”, afirma.

Preparar a argamassa na obra exige, ainda, bons fornecedores de areia, pois um material sujo ou com granulometria diferente prejudica o resultado final. “Isso faz com que haja, por exemplo, uma rugosidade diferente da prevista”, explica Mércia Barros, professora da Epusp (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo).

Outro ponto a favor das argamassas industrializadas é que há argamassas específicas para cada tipo de utilização. Na verdade, embora já sejam usados na construção há mais de 20 anos, apenas nos últimos cinco anos é que houve um maior desenvolvimento tecnológico dos produtos, em especial pela adição dos componentes que os tornam próprios para assentamento, rejunte e revestimento, entre outras aplicações específicas.

A argamassa aplicada em uma fachada, por exemplo, está sujeita a situações muito diferentes daquelas que afetam o material usado no revestimento de banheiro, o produto aplicado em fachadas tem de suportar mudanças repentinas de clima, completa. É por isso que as argamassas devem ter características e propriedades que as diferenciem.

Quanto mais exposta estiver ao sol, umidade e vento, por exemplo, mais forte e robusta deve ser. Assim, balanceamos as quantidades de polímeros, celulose e cimento para que seja adequada ao uso.

Entre os aditivos responsáveis por essas propriedades especiais estão os retentores de água, cuja finalidade é impedir que a evaporação seja rápida, colaborando para a aderência do produto. O plastificante, por outro lado, não deixa sobrar água, o que pode ocasionar fissuras.

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A tendência geral é que a indústria passe a desenvolver produtos cada vez mais específicos.

Apesar de reconhecidamente melhor, as argamassas industrializadas ainda não têm tantos adeptos no Brasil. As regiões sudeste e sul são as maiores consumidoras do material. Aos poucos, entretanto, o mercado vai sendo conquistado.

As argamassas industrializadas começaram a ser produzidas no Brasil na década de 90.

Atualmente, há mais de 30 tipos diferentes de argamassas industrializadas, indicadas para diversas utilizações, tais como contrapisos, revestimentos internos e externos, assentamento de cerâmicas e alvenaria, decoração e texturas, entre outros. Uma das principais vantagens é que o produto permite eliminar em até 80% as perdas, se comparado às argamassas feitas em obra.

Fabricada em unidades industriais, a argamassa industrializada é produzida com controle de qualidade. É composta por areia seca, com teor de inchamento próximo a zero, e vazios reduzidos entre os grãos. Por isso, a retração no produto industrializado é mínima. Além disso, tem em sua formulação aditivos que melhoram o seu desempenho
de acordo com a especificação.

Outra grande vantagem das argamassas industrializadas é o aumento da produtividade da mão-de-obra. O produto é fornecido ensacado e paletizado, gerando economia na mão-de-obra que transporta insumos para produção da argamassa na obra e liberando espaço no canteiro. Estudos mostram que o tempo que o operário perde para levar o carrinho de areia para ser misturado com o cimento e a água significa um acréscimo de 30% sobre o custo de cada saco de areia. Além disso, o uso do material industrializado melhora a logística do canteiro, pois permite o transporte horizontal de insumos e a consequente redução do espaço de estoque.

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A Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) desenvolveu recentemente uma planilha de análise de custos, em parceria com fabricantes de argamassas, consultorias e outras entidades. Com isso, o construtor pode comparar custos das argamassas industrializadas e com as produzidas em obra. A planilha permite fazer simulações instantâneas entre os diferentes sistemas de argamassa nos revestimentos internos, com dados de cada obra em particular.

Os tipos de argamassa industrializadas e sua aplicação

  • A AC-I é recomendada para o revestimento interno com exceção de saunas, churrasqueiras e estufas.
  • A AC-II é recomendada para pisos e paredes externos com tensões comuns de cisalhamento.
  • A AC-III é recomendada para pisos e paredes externos com elevadas tensões de cisalhamento e piso sobre piso.
  • A AC-IIIE é recomendada para ambientes externos, muito ventilados e com insolação intensa.
Argamassas básicas (cinzas)Argamassas colantesArgamassas decorativas
  • Assentamento de alvenarias;
  • Revestimento Paredes internas e externas admitem pintura;
  • Contrapisos.
  • Para revestimentos de pisos e paredes;
  • Rejunte.
  • Coloridas (dispensam pintura)

Conheça a ABAI – Associação Brasileira de Argamassas Industrializadas. http://abai.org.br

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